Sábado de sol, fui para um clássico programa de índio: reunião de condomínio. Logo que cheguei o síndico veio falar comigo e outros condôminos com explicações sobre a necessidade de uma obra no subsolo do prédio, um dos condôminos cheio de certezas e teorias se mostrou entendido no assunto, me pareceu que ia ser o mais inflamado na reunião que ia começar. Sentei no meu canto em um lugar estratégico, fácil de sair sem atrapalhar ou chamar a atenção. Na verdade nem sei porque fui, já tenho uma certa experiência no assunto e sei que só me estresso. A reunião começou com atraso, pra variar, a mesa presidente com toda seriedade, deu início aos trabalhos, logo, um condômino levantou a mão e já foi colocando lenha, reclamando das contas da antiga gestão e cobrando respostas do atual síndico, era o que faltava para o fogo pegar, o síndico já jogou a responsabilidade para o antigo síndico que também estava presente e o bate-boca começou, "Eu não, foi você" "Você não, foi eu" "Eu? Não, você" e um outro levanta a mão "Questão de ordem! Gostaria de dar uma opinião" lá do fundo outro questiona "Porque não colocamos em votação?" dentro de alguns minutos a reunião tinha virado uma feira. Aquele condômino que nas preliminares me pareceu tão inflamado agora estava mais quieto do que eu, observando tudo a distância, e aquele outro, agitador, que começou a discussão, agora ria com outros no fundo do salão.
Só sei que tivemos uma eleiçao para síndico, o atual foi crucificado, sua cabeça foi cortada, sem a minha conivência, pois, votei pela sua permanência, mas é assim mesmo que funciona, o novo síndico que se prepare porque ano que vem ele é que será crucificado, isso é um ciclo infinito. Ser síndico é ser naturalmente detestado.
Não sei porque chamamos programas chatos como este de programa de índio porque assim como diz Rita Lee: "um dia eu quero ser índio viver pelado, pintado de verde num eterno domingo. Ser um bicho preguiça e espantar turista e tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol"...isso que é programa bom, aposto que na tribo não tem reunião de condomínio.
sábado, 12 de janeiro de 2008
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4 comentários:
Ah, que texto "jóia"!(como dizíamos antigamente). Adoro sua verve irônica.
Por isso que nunca vou. Sempre deixo o interfone tocar... hehehe. Bjs.
Reunião de condomínio... na prática tudo parece bem longe da civilização...
Tinha que terminar o texto com sol, né! Adorei o texto!
Vc nem mandou parabéns pra meu pai, né? Bicho falso!
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